18 de abril de 2013

Egoísmo interdependente

[...] Nós dependemos da felicidade alheia, também. É praticamente inconcebível, para nós, conter a felicidade diante da tristeza dos outros. Se são desconhecidos, vá lá, damos nossas escorregadas. Mas quando se trata de alguém que nos é querido, somos obrigados a respeitar. Aí acabamos ficando duplamente chateados: porque um amigo está triste e porque isso mina nossa felicidade, no sentido de que não podemos sair cantando e dando pulos de alegria quando a pessoa ao lado está enterrada na fossa.

O fato é que não temos nada de altruístas. Não naturalmente, porque nossa essência é egoísta. Não suportamos ficar tristes por tempo demais. Na maior parte das vezes, não porque é fardo pesado, doloroso, mas simplesmente porque não conseguimos lidar com a ideia de todos ao nosso redor estarem felizes enquanto nós passamos por um mau momento. Talvez por isso você coloque uma máscara e finja estar tudo azul quando alguém te encontra em meio a uma crise. Talvez por isso você seja incapaz de dizer "está tudo uma droga, mas vai passar. E você, como vai?" e, ao invés disso, siga optando entre o cortante "tudo ótimo" e "nada dá certo na minha vida", queridinho das vítimas de plantão. [...]